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sexta-feira, 5 de agosto de 2011

História do selo Odeon - Fred Figner - Casa Edson


O pioneiro musical judeu/brasileiro.
Poucos sabem desta história e que merece ser divulgado.
Muito interessante!
FRED (Frederico) FIGNER (1866 - 1947)
OS GRAMOFONES
      Frederico Figner nasceu em dezembro de 1866 em Milewko, na então Checoslováquia.
     Ainda muito jovem e buscando ampliar seus horizontes migrou para os Estados Unidos, chegando ao país no momento em que Thomas Edison estava lançando um aparelho que registrava e reproduzia sons por intermédio de cilindros giratórios.
      Fascinado pela novidade, adquiriu um desses equipamentos e vários rolos de gravação, embarcando com sua preciosa carga em um navio rumo a Belém do Pará, onde chegou em 1891 sem conhecer uma única palavra do Português.
    Naquela cidade começou a exibir a novidade para o público, que pagava para registrar e escutar a própria voz.
    O sucesso foi imediato e, de Belém, Fred se dirigiu para outras praças, sempre com o gravador a tiracolo.
     Passou por Manaus, Fortaleza, Natal, João Pessoa, Recife e Salvador antes de chegar ao Rio de Janeiro, no ano seguinte, já falando e entendendo um pouquinho do nosso idioma e com um razoável pé de meia.
      Na Cidade Maravilhosa Figner abriu sua primeira loja, a Casa Edison, em um sobrado da Rua Uruguaiana, onde importava e comercializava esses primeiros fonógrafos.
Comercial da Casa Edison da Rua Uruguaiana

CASA EDISON
      Por essa mesma época o cientista judeu Emile Berliner tinha acabado de lançar nos Estados Unidos um equipamento de gravação que utilizava discos revestidos com cera, com qualidade sonora superior ao do aparelho de Thomas Edison.
      Fred Figner percebeu de imediato o potencial da nova invenção e transferiu seu estabelecimento, de um sobrado da Rua Uruguaiana, para uma loja térrea na tradicional
Rua do Ouvidor, onde abriu o primeiro estúdio de gravação e varejo de discos do Brasil, em 1900.
Casa Edison da Rua do Ouvidor
OS PRIMEIROS DISCOS
      Os discos fabricados por Figner nessa fase inicial utilizavam cera de carnaúba, eram gravados em apenas uma das faces e tocados em vitrolas movidas a manivela.
      Apesar das limitações técnicas, essa iniciativa representou uma verdadeira revolução
para a música popular brasileira, que engatinhava, pois até então os artistas só podiam se apresentar ao vivo (ou comercializar suas criações) por intermédio de partituras impressas.
      O primeiro disco brasileiro foi gravado na Casa Edison pelo cantor Manuel Pedro dos Santos, oBahiano, em 1902Era o lundu “Isto é Bom”, de autoria do seu conterrâneo Xisto da Bahia.
      A partir daí mais e mais artistas começaram a gravar suas composições em discos que eram distribuídos pela Casa Edison do Rio e também pela filial que Figner havia aberto em São Paulo.
      A procura pelos discos cresceu tanto que em 1913 Fred decidiu instalar uma indústria fonográfica de grande porte na Av. 28 de Setembro, Vila Isabel, Rio de Janeiro, dando
origem ao consagrado selo ODEON.
Selo do consagrado Disco Odeon
A MANSÃO FIGNER
      Fred Figner era um homem à frente do seu tempo e para coroar o sucesso nos negócios decidiu erguer uma residência que espelhasse seu perfil empreendedor. A hoje conhecida "Mansão Figner", situada na Rua Marquês de Abrantes 99, no Flamengo, abriga o Centro Cultural Arte-Sesc e o restaurante Bistrô do Senac.
    
É considerada um exemplo arquitetônico raro de “casa burguêsa do início do século 20". 
Fred Figner utilizou-a como hospital, em 1918, durante a pandemia conhecida como Gripe EspanholaEmbora ele próprio ter contraído a enfermidade, atuou como um prestativo auxiliar de enfermagem, transformando seu palacete em uma improvisada enfermaria de campanha que chegou a abrigar quatorze pacientes em seu interior.
"Mansão Figner" (hoje) 
  RETIRO DOS ARTISTAS
   Fred era um homem generoso e solidário. Pela própria natureza do trabalho nas suas duas gravadoras havia se tornado amigo de muitos músicos e cantores de sucesso. 
   
Em uma época que antecedeu à criação da Previdência, ficou consternado com a situação de penúria que alguns desses artistas enfrentaram ao chegar à velhiceSensibilizado com esse verdadeiro drama social, não titubeou e decidiu doar o terreno, em Jacarepaguá, para a construção da modelar instituição Retiro dos Artistas, que funciona até os dias de hoje.
Retiro dos Artistas em Jacarepaguá
                                                 
O FINAL
     Em 19 de janeiro de 1947, faleceu, no Rio de Janeiro, aos 81 anos de idade. Ao se abrir seu testamento, nele constatou-se que Fred Figner havia destinado parte substancial dos seus bens às obras sociais de Chico Xavier.
    O jornal carioca A Noite Ilustrada publicou editorial em que o judeu Frederico Figner foi honrado, post-mortem, com o merecido e justo título de “o mais brasileiro de todos os estrangeiros".
IMPORTANTE: aqueles que se interessarem por mais detalhes sobre esta interessante matéria, podem obtê-los no GOOGLE acessando, simplesmente "Fred Figner", entre outras referências. 

1 comentários:

Mairon Machado disse...

Parabéns pela bela revisão histórica. Sucesso sempre.

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